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O caos interminável?, por Ricardo Morales
Acordei e a impressão é que estava deitado debaixo de alguma marquise. No ar havia um cheiro de umidade acima do normal. Ouvia a chuva torrencial e algum vento pelo barulho das folhas das árvores. Que bom estar em uma cama quente, pensei. Mas, precisava ir ao banheiro. Rolei por baixo do edredon, joguei a…
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A velhinha da enchente de 24, por Magali Schmitt
mais sobre o tema que não se esgota, a pauta eterna Cada pessoa é um batalhão nessa enchente. Sábado logo cedo, me vi soldado, inseguro sem saber o que fazer, para onde ir, esperando voz de comando diante de uma montanha de escombros e incertezas. A gente fica em choque quando quem nos conta a…
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Nada poético, por Lúcio Brancato
Num lirismo cruel e avassalador, o céu noturno estrelado da cidade nunca esteve tão nítido da minha janela. As nuvens que dissipavam da primeira tormenta revelavam na escuridão da Cidade Baixa estrelas que nunca pude ver. Não existia mais a penumbra do recorte da luz dos postes, das janelas dos outros prédios, ou dos faróis…
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Jorrar e não arrebentar, por Camila Sequeira
(Esse texto foi escrito num primeiro dia de sol após quase um mês inteiro cinza chumbo. Maio encheu a gente de chumbo sem dar tempo de tentar se levantar. Desprevenidos, a gente aprendeu a contar com quem nunca precisou e precisou ser ser braço e abraço numa rede infinita que se estendeu até o olho…
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A garrafa e o sobrado, por Bebê Baumgarten
O canto da parede ganhou uma mancha cinza em volta do amontoado de cabos que descem do ar condicionado para o buraco que os liga com o trambolho do lado de fora do velho sobrado. A casa reclama das feiuras que invento e que interferem em suas janelas vermelhas quase centenárias. Não a julgo. A…
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Porto Alegre e a humilhação, por Igor Natusch
Nos últimos dias, tenho procurado sair para ver Porto Alegre. Alguém que me observasse à distância talvez achasse que estou praticando um turismo da desgraça, satisfazendo meu apetite mórbido com imagens da dor e destruição alheias. Não é isso, asseguro. Na verdade, o que eu quero é ver como a cidade está – e, se…
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Álbum, por Giulia Mallmann Balestro
*Texto enviado no dia 29 de maio de 2024. No primeiro dia da enchente, abri as portas do meu armário e separei roupas que eu não usava há pelo menos um ano, com o objetivo de destiná-las às pessoas que estão com suas roupas afogadas. Acessei partes esquecidas do meu armário, onde a luz não…
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A mais clichê de todas as lições: a gente não sabe o dia de amanhã, por Isadora Vilanova
*Texto enviado no dia 27 de maio de 2024. Quando a luz voltou em uma sexta-feira à noite na Duque de Caxias, no Centro Histórico de Porto Alegre, os gritos da vizinhança e buzinas tomaram conta de uma parte do bairro. Havia vida e movimento em meio a tanta escuridão e medo. Me senti grata…
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C@garam, por Malvina de Castro Rosa
*Texto enviado no dia 27 de maio de 2024. Pouco saí de casa nas últimas semanas, por motivos de morar em Porto Alegre, não ter um barco, um jetski, uma canoa e estar com minha carteira de arrais amador vencida. Todos os percursos feitos em maio até o final de semana passado foram friamente calculados…
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As ausências inesperadas, por Francisco Luz
*Texto enviado em 25 de maio “Tenho muita sorte: aqui não deu nada, nem comigo nem com a família.” Essa virou minha frase padrão nos últimos todos os dias sempre que alguém mandava uma mensagem para perguntar como eu estava, fosse para amigos e amigas de fora do RS, fosse para quem estivesse por aqui…