• Estado de cheia, por Lisete Pozatti

    Terça-feira, 30/04, saí cedo de Eldorado dos Sul para trabalhar em Porto Alegre. Chovia muito e a BR 290 partiu, atrás de mim. E me partiu. Estou na quarta casa desde esse dia. Hoje, 08/05, aqui não tem mais Porto nem nada Alegre. No Sul, estamos sem Eldorado, o Gramado desabou, o Cruzeiro do Sul…

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  • Vida  misturada  (enchentes  do  RS), por Godo Rodolfo Goemann Jr

    “Grande Sertão – Veredas”, de Guimarães Rosa. Na história, o personagem Riobaldo desabafa: “eu careço de que o bom seja bom e o ruim seja ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o bonito fique bem apartado do feio, e a alegria fique longe da tristeza. Mas nesse mundo…

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  • Dessa vez foi diferente, por Denise Andrade

    A escrita para mim sempre foi uma forma de cura. Prática transformada em arquivo particular atirada em gavetas da vida. Primeira a se tornar pública é esta. Resid(ia) num sitio em área rural no Vale do Guaporé em Vespasiano Correa. Opção de afastamento de um mundo que às vezes me incomoda. Nesse lugar os ciclos…

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  • A lama que tudo engole ou A Água que busca a terra, por Cristina T. Ribas

    Chora um pouco todo dia, o que também é água. Pesquisa a água, porque tudo que molha se torna, em parte, cumplicidade com essa inundação. A água da lágrima contém água, mas é mais.   A calamidade é um encontro de mundos, mundos que não se tocavam e passam a se atravessar, uns aos outros,…

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  • A angústia de voltar pra nada, por Ana Cardoso

    Ainda não fui a Porto Alegre depois da tragédia de maio. Há oito anos troquei de capital, vim com muitas malas e apenas uma cuia (hoje abandonada por falta de companhia pro mate) morar em Curitiba. No entanto, é raro eu passar mais de três meses sem dar uma banda na Redenção. Este ano já…

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  • A água atingiu até onde ela não chegou, por André Ávila

    Dois meses depois do início da enchente ainda tenho dificuldades em me situar e, inclusive, de acreditar em tudo o que vi. Mesmo que meu trabalho seja documentar o que vejo à minha frente, me custa olhar para as fotografias como prova do que passamos. Me parece um sintoma coletivo, quase como de defesa, quando encaramos as marcas…

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  • Medo da chuva, por Mario Reis Alvares-da-Silva

    Aos sessenta há quem pense que não se ganha mais nada, só se perde: cabelos, memória, a libido, o senso (é o fundo do poço, é o fim do caminho?) e que com as rugas chegam as dores (ainda mais em tempos de leptospirose e chuva), artrites e artroses, mas não vamos levar as coisas…

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  • Sete dias, por Alvaro Andrade

    A vendedora segurava duas capas de proteção para notebook, uma em cada mão, enquanto me explicava preços e opções. Eu a ouvia mas não a escutava. Senti um apito no ouvido e minha visão ficou turva. Era o sétimo dia que eu não tinha notícias da minha mãe e tentava fingir normalidade vivendo a mais…

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  • Comadres

    Mãe, no sonho eu entrei no supermercado e ali na parte onde ficam as frutas estava cheio de produtos de limpeza. Todo o supermercado só tinha produtos de limpeza. Olhei um cara, parecia que estava louco, bebendo numa garrafinha de detergente. Meu filho sonhou isso depois que todo mundo correu para estocar mantimentos. Chegamos no…

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  • Rio marrom, por Mario Ferrari

    Nos primeiros dias de maio, quando as nuvens previam o caos e algumas cidades já estavam alagadas, eu me recostava na cadeira e assistia televisão, via a desgraça vizinha, mas sem noção da gravidade. Minha ignorância seria contestada pelos céus logo dois dias depois. O rio marrom subiu mais alto do que a velocidade que…

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