A enchente anunciada, por Malu Baumgarten

Janelas - Malu Baumgarten
Janelas – Malu Baumgarten

Estão agora envergonhados, soltaram a besta neoliberal e o diabo era maior que o rabo

gritam em coro, errei erramos, contritos

pedem perdão mas não querem doação

(que atrapalha a economia)

nem ajuda federal (que afeta a eleição)

Também não querem culpados

(pois sabem que são os próprios).

Cada um deles é um, nunca um todo coletivo

e primeiro ele, primeiro ela, primeiro a filha,

o filho, a cadela, o passarinho

lá no fim os morredouros brasileiros

nada mais que forças de braços,

dor a gastar, lenha-energia, corpo a morrer

afogado, alagado, doente sem descanso

que alimenta a riqueza dos que querem mais e mais e mais e muito mais

um corpo é um corpo é uma cova rasa, é um número, é ninguém na conta dos ricos

e dos idiotas que ricos sonham ser.

O Rio Grande virou mar, não há sertão que nos valha. Porto Alegre ficou triste, rifaram nossa cidade. Entre o deus dos desgraçados e o diabo que os carregue, viro as costas, cuspo neles,

os machos que nos governam.

 

Poema de Malu Baumgarten 26/05/2024

Menino Deus - maio de 2024 por Malu Baumgarten
Menino Deus – maio de 2024 por Malu Baumgarten

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